6. O Que Fica em Aberto — Ponte para o Artigo 4
O arco percorrido por este artigo pode resumir-se em poucas frases. A Secção 0 diagnosticou uma lacuna deixada pelos Artigos 1 e 2: ambos avaliam um julgamento — o da IA, o do supervisor — depois de produzido, sem qualquer vocabulário para classificar, antes disso, a própria tarefa que está a ser julgada. A Secção 1 recuperou a arquitetura funcional da CCT de Hammond que preenche essa lacuna: dois polos, um meio-termo dominante, um mecanismo de indução tarefa→cognição. A Secção 2 escolheu, entre duas formulações concorrentes, a lista de onze propriedades de Doherty & Kurz (1996), interpretada através da distinção superfície/profundidade de Hammond (1988) — e resolveu, com justificação própria, uma polaridade que a literatura deixa em aberto. A Secção 3 mapeou essas onze propriedades para o domínio AI-IoT, através de uma arquitetura de três níveis. A Secção 4 formalizou esse mapeamento num índice — e — declarado como construção original, não como recuperação de um instrumento validado. A Secção 5 testou esse índice contra dois casos concretos, e descobriu, ao calcular, um teto matemático e um ponto cego que nenhuma das secções anteriores tinha previsto.
Fechar um artigo não significa resolver tudo o que nele se abriu. Três dívidas ficam explicitamente por saldar, e vale a pena enumerá-las aqui, juntas, em vez de as deixar dispersas pelas notas bibliográficas onde foram sinalizadas:
- O caso do asterisco (Secções 5.1, 5.2): a propriedade "número de pistas" não distingue, tal como herdada da CCT clássica, "poucas pistas analisáveis" de "nenhuma pista, apenas uma conclusão" — uma falha da própria propriedade, não de um caso específico, que esta trilogia sinaliza mas não corrige.
- A citação Juslin/Olsson (Secção 2): usada para caracterizar a polaridade oposta da relação pistas–critério, permanece por verificar diretamente contra as publicações originais antes de qualquer citação formal.
- A opacidade não detetada (Secção 5.2): deteta deslocação estrutural de modo entre níveis, mas não deteta um princípio organizador que se torna opaco sem deslocar as restantes propriedades — uma fronteira de aplicação do índice, não um erro de cálculo.
Nenhuma destas três é urgente ao ponto de travar o Artigo 4. Mas há uma quarta: o limite , descoberto na Secção 5.3, não é uma curiosidade matemática a arquivar — é uma pergunta de desenho para a qual este artigo não tem vocabulário. Se nenhuma interface supervisora, por mais minimalista que seja, consegue empurrar além de aproximadamente , então a pergunta relevante deixa de ser "qual é o valor de desta tarefa" — a Secção 5 já mostrou como calculá-lo — e passa a ser: dentro desse intervalo limitado, que posição um determinado desenho de sistema escolhe ocupar, e que autoridade deveria essa posição justificar que se atribua à IA?
Essa é exatamente a pergunta com que o Artigo 4 abre. As quatro arquiteturas que aí se examinam — autonomia humana assistida, humano-no-loop, humano-sobre-o-loop, autonomia operacional limitada — diferem, entre outras coisas, em quanto da estrutura da tarefa é exposto ao supervisor humano: exatamente a alavanca de desenho que a Secção 5.1 manipulou ao comparar um painel rico com um painel pobre para a mesma deteção térmica. É tentador concluir, a partir disto, que arquiteturas de maior autonomia algorítmica deveriam reservar-se para tarefas de elevado, e vice-versa — mas o próprio Artigo 4 recusa esse atalho na sua secção de fecho, que se declara um "heurístico de desenho, não uma tabela de correspondência". entrará ali como um input heurístico entre vários, não como chave de consulta. Este artigo não resolve essa questão — estabelece apenas que ela é agora colocável com precisão, o que antes da Secção 4 não era.
Vale a pena fechar notando onde este artigo deixa a trilogia, em termos da sua própria linhagem. A Secção 1 já assinalou que Hammond foi aluno direto de Brunswik, e que a CCT nasce como extensão do lens model brunswikiano do lado da tarefa. Este artigo importou precisamente esse lado — o que a tarefa exige de quem a julga. O Artigo 5, já escrito nas suas primeiras secções, regressa ao outro lado da mesma linhagem: o lens model original de Brunswik, e a exatidão do julgamento face a um critério distal. O Artigo 4, situado entre os dois, é onde a classificação de tarefas encontra, pela primeira vez nesta trilogia, uma decisão de engenharia — onde "que tipo de tarefa é esta" se transforma em "quem, ou o quê, deveria estar a decidir aqui". É essa transformação, não a sua resposta, que este artigo deixa em aberto.
(Nota bibliográfica: esta secção não introduz citações novas. As dívidas listadas remetem para notas bibliográficas já registadas nas Secções 2 e 5.)
